A dinner || @Emiter.

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Terno azul marinho, blusa branca por dentro com dois botões desabotoados e a calça da mesma cor do terno, era assim a vestimenta de Peter, que estava nervoso, ansioso, nervoso, ansioso, nervoso, ansioso. De oito horas, ele já estava pronto e se encontrava em seu quarto, batendo o pé, não aguentava mais esperar de tanta ansiedade, o seu relógio já não aguentava mais ver a cara de Peter, então resolveu fazer algo para espairecer, ver como andavam os preparativos lá embaixo, não era exatamente algo que desviasse do foco mas ainda assim era uma distração. 

Seu sorriso se alargou ainda mais quando viu os preparativos, não existia prata em cima da mesa, era tudo dourado, taças de cristal, talheres dourados, pratos de porcelana com detalhes dourados, em cima de uma mesa de vidro coberta por uma toalha de renda branca e um lustre de vidro esplêndido. Teriam que lembrar à Peter de dar um dinheiro extra a essa mulher, mas não era pra menos, fazendo um serviço na casa dos Frey. Foi então na cozinha para ver como estava o andamento do jantar, tudo impecável. Voltou lá para cima e se sentou em sua cama, olhando para a lua em uma espécie de transe. A casa estava um silêncio a não ser pelo barulho que a cozinha fazia, deu de ombros e esperou. 

Oito e cinquenta da noite e a campainha tocou, Peter se levantou e correu, na metade da escada percebeu que não era Emily, e sim Mike, já que estava lá embaixo praticamente, desceu o restante e estendeu a mão para Mike para um aperto. Não demorou nem cinco minutos para Lilie descer com David, ela estava linda, com uma calça social preta e uma blusa se seda branca, já David, parecia um hominho com um terno e sapatos sociais, digno de um aperto. — A casa tava muito silenciosa. — Falou Peter e de imediato Lilie respondeu enquanto ia a caminho de Mike. — David estava dormindo até agora, dei banho e o arrumei e ele estava meio sonolento. — Deu um selinho no seu namorado e abriu caminho para um abraço de Mike com David, o menino gostava dele. — Tio Mike! — Pronunciou. Depois seus pais desceram e então só faltava o motivo da comemoração, atrasada. Mulheres, pensou com um sorriso. Peter já não estava mais tão ansioso com todos ao seu redor e então começou a brincar com David. Quando menos esperou a campainha tocou e Willa logo tratou de atender. O sorriso de orelha a orelha de Peter era explícito. 

Oi, meu amor. — Falou dando um selinho demorado em Emily depois que ela falou com todo mundo. Ficou mais que vermelho quando viu o seu presente, gigante por sinal e o pegou. Deu mais um selinho nela e se virou para todos. — Não te problema o seu pai não vir, agora eu quero que todos sentem na mesa. — Não deixou Emily sentar, sua curiosidade era maior, então a puxou para um canto da sala e começou a abrir o seu presente. — Depois eu mostro para o resto, agora é só meu. — Sorriu enquanto terminava de desembalar. Assim que abriu a caixa Peter tirou o sorriso do seu rosto, passou de vermelho para sua cor natural, da cor natural para branco gelo, de branco gelo para transparente. Os seus olhos se focaram em Emily e ele engoliu seco, queria chorar. Peter queria chorar! Não acreditava, ia ser pai! Dose dupla! Não acreditava, estava desnorteado, tonto, sentindo náuseas. — M.. meu am… Emily! Não acredito. Eu sabia que você não ia me decepcionar. — Deu um beijo apaixonado nela enquanto segurava o teste, e se lembrava da primeira vez. Então partiu o beijo rapidamente e deixou sua expressão obscura. E se acontecesse a mesma coisa da primeira vez? Crescesse rápido demais e acontecesse um aborto natural? Não. Não era hora de pensar nisso. Era hora de celebrar, estava tudo ao favor deles. Peter levou o indicador a boca pedindo para Emily não falar e a levou para a mesa, puxando a cadeira para ela sentar e depois sentando na cadeira do lado. Deu um toque com mão indicando aos garçons que poderiam começar a servir. Primeiro vieram com água e encheram as taças menores. Depois colocaram um carpaccio como entrada na mesa.— Pode trazer o vinho. — E então um Chateau La Croix foi colocado nas taças maiores. — Um dos melhores vinhos franceses. — Sorriu e então passaram um tempo conversando besteiras. Logo veio o prato principal, um Magret de Canard, todos estavam muito bem servidos. Quando já não aguentava mais de ansiedade Peter se levantou. Respirou fundo e limpou a garganta. — É típico, mas eu quero falar ainda sim. Para começar, eu não sei como consegui namorar três anos, mas foi a melhor coisa que me aconteceu e levando em conta todos os momentos que passamos juntos e até mesmo a dificuldade ao estar longe, percebi que não consigo mais viver sem, é questão de dependência, uma droga muito viciante, loira, dos olhos azuis e linda. Eu sei também que existem caras mais bonitos que eu então eu me torno o cara mais sortudo do mundo por ter conseguido. — As palavras saíam sem sentir, se sentia um idiota por estar falando aquilo na frente de todo mundo mas não ligava, um idiota apaixonado. — Meu amor. — Se virou para Emily. — Espero que venham mais três anos, e seis, nove, mil anos. — Deu um beijo nela. Lilie e Mike começaram a tirar brincadeiras e então ele deu pausa a baderna que estava se tornando ali. — Não é só isso. — Engoliu seco e se virou para ela, ficando de joelhos. — Eu quero passar os três, seis, nove, mil, casado com você. O que você me diz? — Os olhos brilhavam e então Peter pegou uma caixinha azul turquesa da cor dos olhos de Emily e abriu, um anel lindo e delicado estava lá, esperando para ser colocado no dedo que o merecia. 

— É claro que não. — gabou-se. — Acha que eu brinco em serviço? — perguntou num tom cômico. Acabou adquirindo a mania de fazer piadinhas e se gabar com Peter. Uma mania que vinda dela, era bem chata, devia se dizer. Nele, só contribuía para o charme avassalador que já possuía. — E a notícia é melhor ainda dessa vez. Ainda não tive nenhum surto esquisito, então tudo indica que é um humano e não uma aberração que nem nós dois. — riu, embora o fato deles serem aberrações fosse mais do que verdadeiro. — Amém, conseguimos nos livrar do terror que vivemos. Das guerras, dos relacionamentos ruins, das brigas, das resistências, de tudo. E nosso filho nem vai ter que enfrentar o mesmo. Me sinto aliviada. — relaxou os ombros, demonstrando sua tranquilidade. Se sentia prepara para aquilo, e queria mesmo viver esse momento com Peter. Ter um filho gerado por ele. Era incrível o simples pensamento.

Ao ver o anel, tomou conta de sua mente a coisa mais assustadora. Virara uma adulta. Finalmente seu passado fora deixado para trás, e o futuro estava começando. Tinha um homem que a amava e alegava que queria passar o resto da vida com ela, um filho crescendo em seu ventre, um emprego promissor, a beleza da juventude que ainda não lhe fora tirada. A vida a presenteara com tudo de bom que podia dar-lhe. Sorriu para Peter timidamente. Não queria tanta gente olhando, estava se sentindo desconfortável, mas a beleza do momento ainda a fazia ficar em pé e visivelmente feliz ali, diante dele. — Digo o mesmo. Que venham os mil anos. — deu um beijo apaixonado nele diante dos olhares e sorrisos de Lilie, Mike, David, seus pais, Willa, e tantos outros, e então deixou que Peter colocasse o anel reluzente em sua mão. Tão delicado, ousado e lindo que representava muito bem não só ela mesma, como seu futuro marido.

COISA MAIS FOFA DESSE MUNDO.

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Peter estava radiante, cantarolava pela casa de sua mãe o tempo todo, tinha mil motivos para estar feliz e não poderia ter pedido uma vida melhor, sentou na cadeira e começou a olhar para papeis a sua frente, eram contratos. Peter estava comprando um terreno no condomínio mais luxuoso de Klamath Falls, não era perto do Centro, não era perto de quase nada, mas era super conhecido e desejado. O glamour do condomínio ao todo chegava a ser ainda mais chamativo do que as mansões Frey e Saunders. Mas não era só isso, quer dizer, isso só era o começo. Depois de sua recaída a três anos atrás, isso mesmo, três, Peter passou a se controlar e hoje consegue conviver normalmente com sangue, claro, ele é bem mais forte e digamos… Selvagem, pois aderiu a dieta do sangue, porém não ofensiva para ninguém, só que um copo é muito melhor do que nada. Peter sorria feito um bobo pois estava fazendo dois anos de namoro desde que ele e Emily voltaram, com mais um que já vinha no histórico, 3. Três anos de namoro e ela nem sonhava o que ele havia preparado para o jantar, era uma data muito especial. 

De repente uma gritaria tomou conta do ambiente, risadas também e quando menos esperou alguém batia à porta. Foi interrompido de seus devaneios mas não tirou o sorriso do rosto, assim que abriu, foi cambaleando para trás até que caiu em sua cama, David estava em cima dele mexendo em seu cabelo e falando coisas com muita empolgação. David era o filho de Lilie com Dominic, de um ano e oito meses, com absoluta certeza Peter preferia Dom, já que o filho da mãe do Mike quebrou o seu coração uma vez, mas todos já superaram essa fase, a questão era que Peter adorava seu sobrinho e parecia um abestalhado quando ele estava perto. David era um menino muito esperto e já falava tudo, seus cabelos eram de um dourado puxado para o marrom e seus olhos de cor escura, que davam o contraste com sua pele, branca como neve, era um menino lindo. Peter o segurou com força e levantou da cama e depois o jogou no ar fazendo o garoto dar gargalhadas. Logo a frente estava Lilie encostada na porta rindo junto com os dois, não mudou nada, continuava linda e magra, a diferença era que esse problema também tinha sido resolvido, os irmãos estavam se falando. — Hoje é um dia muito especial. — Peter falou enquanto colocava David no chão. — Vou dar um jantar de três anos de namoro e quero que você, o pequeno aqui, o Mike, a mamãe e o papai estejam presentes. Todos muito bem vestidos. A moça da decoração já está chegando e se for descer, avisa a Willa para recebê-la quando chegar. — Esclareceu e logo saíram do quarto. Casa para ser comprada, três anos de namoro e de bônus uma boa relação com a irmã, claro que o lado vampirístico ajudava na questão de conseguir tudo, porém Peter terminou a faculdade fazia um ano e estava sendo muito bem sucedido em seu ramo, hoje com vinte e quatro anos. Se sentou na cama e digitou uma mensagem para Emily. “Hoje. 21h. Aqui em casa. Linda. Cheirosa. Impecável. Traga seu pai.” Deu um sorriso e apertou em enviar, ansioso para a resposta. 

— MARY!!!!! — Emily gritou aos prantos para a mais recente empregada da mansão. Desceu as escadas correndo em um pijama qualquer. — Pelo amor de Deus! Eu esqueci do vestido pro jantar de hoje! — olhou o mensagem de Peter no celular. Com a bateria final de provas da faculdade de arquitetura a sua frente, Emily mal tinha tempo para pensar em si mesma. Seu loiro estava bem degradê, mantendo o castanho por toda a fibra e ficando claro apenas nas pontas, o que nela continuava bonito e mais parecia uma inovação da moda, seu bronzeado não era mais o mesmo, e estava até começando a ter pontas duplas. Não tinha tempo para cuidar de si mesma. E como ela detestava isso. ”A senhora pode pegar um dos da sua mãe, vocês tem o mesmo corpo, não fará muita diferença.” Sua mãe. Emily devia admitir que já tinha se acostumado com a eterna ausência dela. E com a morte drástica a qual sofrera. Sua mãe agora era apenas uma lembrança. Não só para ela, mas para Chuck também. Nunca fora presente na vida dos dois então só quem chorava por ela era seu pai, que agora recobrara a consciência e parara de beber qualquer coisa com álcool. Para o bem de todos. Sentia falta de seu irmão andando pela mansão, mas sabia que ele estava muito melhor na Pensilvânia, e de toda forma, Emily viajaria para vê-lo nas férias deste ano. — É, não é uma ideia muito idiota. — afirmou com os olhos fitando o nada.

Deu meia volta e foi até o closet de sua mãe. Uma imensidão de vestidos se encontrava diante de seus olhos claros. Cada um mais lindo do que o outro. A maioria longo, já que Vanessa sempre tivera uma postura muito comportada. A loira teve um pouco de trabalho, mas acabou encontrando o vestido perfeito. Assim que saiu da banheira, o colocou. Se tratava de uma peça bege e folgada, que tinha detalhes de folhas em brilho branco por todo ele. Não passava dos joelhos e estava combinado a um salto prateado pontiagudo mas baixo. Prendeu o cabelo num rabo de cavalo desleixado e colocou brincos cravejados nas orelhas. Anéis e a pulseira que ganhara de Peter em seu último aniversário completavam o look. A maquiagem era leve e parecia não passar de delineador e blush. Passou perfume e pegou sua carteira. As oito e meia estava sentadíssima no sofá, com as pernas cruzadas e o enorme presente de Peter ao seu lado. Josh ficara de pega-la as oito e meia para que chegassem as nove em ponto na mansão Frey. As oito e cinquenta e oito, seu celular vibrou. ”Filha, conheci uma mulher, e acho que ela poderá me fazer superar sua mãe. Sinto muito, não poderei comparecer” Emily rolou os olhos com a ”surpresa”. — Típico. — murmurou, se levantando com o presente em uma das mãos e a carteira em outra. — Mary, as chaves do Porsche do papai, por favor. — Mary correu para pega-las e em menos de dois minutos estava entregando-a a Emily. — Obrigada. Se ele chegar em casa, diz que a conta chegará em dois dias, e que o seguro provavelmente não cobrirá. — sorriu e bateu a porta da casa.

O caminho até a mansão não fora longo. As nove e quinze estava tocando a campainha. — Oi, Willa! — sorriu — Não tô muito atrasada né? — perguntou enquanto a empregada de Peter fechava a porta com delicadeza atrás dela. Ao chegar na sala de jantar, Emily pôde ver o senhor e a senhora Frey conversando com Lilie sobre algum assunto que lhes parecia muito interessante, e Mike brincando com David e Peter. Emily não pôde deixar de sorrir ao ver a alegria de Peter com a criança. Seria um ótimo pai, disso ela tinha certeza. — Boa noite! Desculpem a demora, meu pai não pôde vir e eu fiquei esperando ele por um tempo além do planejado. — sorriu. Deu um abraço no senhor Frey, um beijo na senhore Frey e em Lilie, outro abraço em Mike, e um selinho demorado em Peter. — Feliz aniversário. — estendeu o presente para ele, sabia o quão louco Peter ficaria ao ver o que tinha dentro da caixa. Podia ser grande mas o que continha lá dentro definitivamente não era grande. Apenas um teste de gravidez. Da mesma marca usada na primeira vez. Exatamente igual. Até mesmo o resultado.

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Peter saiu de seus devaneios olhando para o teto e pensando mil coisas quando ouviu a voz doce de Emily chamando o seu nome, que ficava ainda mais doce. Sentiu ser puxado rapidamente por Emily e não entendia a situação que passava ao seu redor, até que foi beijado e aí que não passou a entender mesmo. Fechou os olhos e levou uma das mãos até o pescoço de Emily, abrindo os seus cabelos e dando passagem para a nuca. Infelizmente Peter estava com os olhos cheios de lágrimas que foram forçadas a cair ao fechar os olhos. Assim que os dois partiram o beijo e Emily começou a falar, Peter desviou o olhar para baixo e de um jeito agoniado limpou os vestígios de água que estavam ali, voltando a focar no que ela dizia. Sorriu quando ela disse que acreditava nele, ele sabia. Estava visível em qualquer olhar dela que não era com Caleb que ela ficaria e apesar de seis meses separados eles ainda se amavam, e a separação havia sido apenas uma fatalidade que os dois não deixariam mais acontecer. Quando Emily disse que o amava, o brilho dos olhos de Peter aumentaram e não tinha nada a dizer, não naquele momento, mas nem podia na verdade, Emily não brincava em serviço. 

Peter partiu o beijo e deu um beijo na testa dela, sorriu e então comentou a primeira coisa que veio em sua cabeça. — Eu achei uma decisão muito bem tomada. — Olhou para baixo ainda sorrindo e depois voltou a olhar nos olhos dela. — Foi melhor do que entender mais pra frente que essa era a decisão certa e perceber o tempo que perdeu, você foi esperta, marrenta. — Disse sério, Pete sentia que ficaria com Emily por um longo tempo e que os dois se gostavam, pra que fazer cerimônia e só discussões… Olhou para Caleb que parecia um pouco deprimido e sentiu pena do cara, na verdade, sabia como era ser o segundo e sabia como o sentimento era ruim, apesar de Peter não ser mais tão derretido como antes, ele sempre foi e sempre será uma boa pessoa. — Acho que você deve explicações para ele. — Falou sério e respirou fundo. — Mas antes… — Puxou Emily quase em uma carreira para a entrada do salão onde estavam os fotógrafos e não hesitou em hipnotizá-los para apagar as fotos de Emily com Caleb, ainda ordenando que no jornal da cidade saíssem na legenda como namorados. Tiraram algumas fotos e voltaram para o salão principal, se sentou em uma mesa e puxou uma cadeira do seu lado. — Se quiser ir lá, eu espero. Só não mude de ideia porque aí eu paro de ser bonzinho. — Sorriu e percebeu a resistência de Emily. A puxou e a sentou em sua cadeira ao lado. Beijou o seu pescoço discretamente, afinal, estavam numa festa que deveriam mostrar classe e bom comportamento. — Estava com saudades do seu cheiro. Lembra da história do pai? Nós podemos tentar novamente depois daqui. — Arqueou a sobrancelha e riu, balançando a cabeça em negação, reprovando sua própria cantada, era óbvio que não falava do filho. 

Emily liberou uma risadinha baixa e sexy. Virou-se para Peter e o olhou nos olhos. — Aquela vez…foi uma fatalidade. Assim como as outras. Não pense que a reconciliação vai ser tão fácil, Pete. — deu um selinho nele, satisfeita por ter conseguido resistir. Ser uma adolescente com os nervos a flor da pele jamais seria fácil. Muito menos para Emily que tinha que se controlar com Peter. — Vou falar com o Caleb. Volto já. — com isso dito, se levantou e andou até seu…atual? Ex? Nem sabia mais. — Hey! Caleb, podemos conversar? — perguntou com a voz doce. Para a surpresa de Emily, Caleb virou para ela com o mais calmo dos olhares. ´´Claro.´´ ele disse, colocando as mãos nos bolsos do terno de segunda mão. Não que ela ligasse. Caleb fora o primeiro garoto que gostara de verdade, e seu sentimento de ternura por ele não mudaria fácil. — O que aconteceu a pouco, eu… — foi interrompida. ´´Você não tem que explicar nada…Eu entendo.´´ Emily abriu a boca, surpresa, mas não disse nada. ´´Você tá apenas se vingando. Não achei que fosse capaz, mas foi. E não vejo isso como algo ruim. Ainda te quero todo o bem, e mesmo que esse bem seja com o boboca lá dentro.´´ se aproximou e depositou um beijo em sua bochecha. ´´Te amo, Em.´´ sorriu e foi andando para fora do salão. Emily estava num estado de choque tão forte que mal conseguiu se mexer. Deixou-o ir embora com a impressão errada dela. Sem pensar muito bem, deu meia volta e foi ao encontro de Peter mais uma vez. Se sentou ao lado dele e apoiou a cabeça nas mãos. Suspirou. — Não foi bem como eu esperava. —

ashley, you’re…. gorgeous. ! <3 

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Peter não pôde deixar de perceber a inquietação de Emily. Respirou fundo, estava derretido por dentro, mas não perderia de jeito nenhum a sua postura, algo novo que ele havia aderido e que parecia não estar funcionando pelo discurso chato de Emily. Na verdade a sua vontade não era se manter sério, durante toda a sua deficiência ele chorou, e Peter nunca chorara por mulher alguma, Peter nem ao menos namorara. Abriu um pouco as pernas e se inclinou, apoiando o cotovelo em sua coxa e colocando a mão no queixo, estava pensativo, preocupado, talvez. Levantou o olhar mas permaneceu imóvel, apenas a observando, cada detalhe, estava gravando a sua imagem novamente, tão linda e impecável como sempre, estava exuberante, o vestido caía perfeitamente nela e a cor escolhida com precisão que combinavam com seus olhos, mais linda do que nunca, deu um sorrisinho por saber que não tinha feito feio em sua escolha e melhor ainda: Não tinha feito pela beleza, apenas foi uma consequência. 

Assim que ele viu Caleb passando e ela dando a palavra final, Peter abriu um sorriso, queria mais que o cara de fodesse, ele não dava a mínima e poderia partir o coração dele quantas vezes quisesse, achava era bom, estava beijando a boca da minha namorada, pensava. Ele não ousou ficar, pelo menos o cara era inteligente, e então Peter se levantou, ajeitou o terno e a gravata rapidamente e segurou no braço de Emily, firme, a fazendo parar de andar imediatamente e olhar para ele. — Escute aqui, mocinha malcriada. — Deu uma risadinha para não parecer que ele estava chato e mandão, quando o malcriada na verdade foi uma referência ao marrenta, coisa que ele costumava chamá-la. —  Eu não estou falando com nenhuma criança então vamos conversar civilizadamente sem xingamentos, nenhum momento eu te desrespeitei quando eu poderia fazer pois que eu sabia nós temos praticamente a mesma fama, não estou dizendo que você está errada porque eu entendo perfeitamente a sua revolta, apesar de todos os seus xingamentos sejam por causa de um término que eu já expliquei o motivo. Não venha me falar que sempre soube que eu era um canalha e que não poderia confiar em mim pois eu tenho mil motivos para provar ao contrário, quer ver? Um: Eu pego quem eu quiser, você pode ter certeza que eu não namorei pra sempre ter um ”cu” como você fala pra comer, que pena que você está se rotulando assim. Ao contrário, Emily, eu me rebaixei por você naquele dia no shopping, presta atenção no que eu estou dizendo e lembra direitinho daquele dia, não faz sentido uma humilhação por uma pegação qualquer não é? Dois: O NOSSO filho foi acidente, mas eu o quis cada momento, e com dezenove anos eu chorei porque eu queria ser pai do menino que tinha a mãe que eu mais amava. Três: Você acha mesmo que se fosse qualquer coisa eu perderia um ano da minha vida? SEM TRAIR EMILY? Você quer que eu continue ou está bastando pra você. — Falou soltando o braço dela, percebeu Caleb de longe, olhou de relance e voltou a olhar para Emily. — E ele? Ele merece muito crédito né, te largou também, lembra? Nem por isso impediu de você voltar com ele. Eu estou com vontade de matá-lo. — Deu um sorrisinho irônico. — Ao contrário da primeira vez eu já dei argumentos demais, eu não vou me humilhar novamente apesar de estar quase fazendo. — Engoliu seco e desviou o olhar saindo da sala de jardim com as mãos nos bolsos da calça social para o salão climatizado, seu rosto começava a ficar vermelho, ele não choraria, em vão, seus olhos inchavam e criavam uma bolsa incrível de água nos mesmos, respirou fundo e se sentou em uma mesa, começou a olhar para o teto com esperança de que aquilo secasse. 

Seria estranho dizer que Emily não tinha mais nada passando em sua mente? Que tudo se apagara no momento em que Peter falou uma única e inesquecível frase. ”Com dezenove anos eu chorei por quê queria ser pai do menino que tinha a mãe que eu mais amava”. A frase ecoava em sua mente. E apenas a deixava respirar naquele momento. Jamais achara que Peter fosse capaz daquilo. De admitir que por um breve momento quis realmente ter uma família com ela, e ama-la sem limites. Não tinha forças para chorar ou sorrir, apenas para ficar imóvel observando-o ir embora. Exatamente. Ir embora. Ela não podia permitir. E dai se fosse mentira de Peter que ele tinha sofrido por causa da guerra? Sempre fora idiota e sempre deixara o amor que sentia vencer tudo. Por quê para ela nada mais importava além de seus sentimentos. Resistência era algo que não fazia parte de seu ser. Acreditava que talvez por um momento tivesse realmente amado Caleb de novo, mas seu coração voltara a gritar por Peter naquele momento, e vê-lo ir embora sem fazer nada era excruciante. Queimava seu peito como um veneno. Destruía sua alma a medida que corroía seu coração. Seus olhos simplesmente não conseguiam observar aquilo. — Peter! — gritou, usando todas as forças que tinha. — Não vai. Só…Cala a boca e me beija. — disse e colou seu lábios no dele. Sentindo o veneno ser sugado de volta e dando espaço para um alívio maravilhoso. Um alívio que reconstruía todo o seu ser, dando força e coragem. Partiu o beijo, e deixou as testas coladas, olhando-o nos olhos para ter certeza de que faria com que ele acreditasse em cada letra. — Eu acredito em você. — a voz saiu quase num sussurro. Ela acreditava de verdade. E não ligava se estava sendo mais imbecil do que fora antes. O que importa é o presente, certo? Tudo que ela sabia naquele momento, é que seu presente deveria ser com Peter. — Acredito que foi culpa dos seus impulsos e acredito que nós devemos ficar juntos. — sorriu fraco. — Eu amo você. — o beijou de novo antes que pudesse ao menos responder. Não queria que ele sentisse algum tipo de pressão. Só queria que ele sentisse aquele momento tanto quanto ela. Não importava se ao voltar para o salão seria taxada de puta ou imbecil, como disse antes, nada passava por sua mente. Não tinha controle da sensação que a enchia de coragem e atrevimento naquele momento. 

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Peter colocou um sorrisinho no rosto quando Emily falou que ele estava pisando em seu pé, era quase impossível ficar sério com aquela baixinha marrenta do lado. Peter em um relance mais que rápido segurou Emily com mais força e a jogou de lado, com uma mão em suas costas e a outra segurando a mão de Emily, o corpo de Peter debruçado sobre o de Emily permitiu que os rostos ficassem bem perto, ele deu uma risada irônica e ameaçou beijá-la. — Emily, uma das coisas que você não sabe é que em quanto vocês estava com a calabresa, eu estava aprendendo a dançar, você já não pode reclamar. — Os dois voltaram para a posição inicial depois de uma leve puxada de Peter. 

Os dois dançaram uma música calados e então Peter se pronunciou. — Você não tem ideia do que aconteceu. — Ele engoliu seco, mas sabia que tinha que falar alguma hora e dar uma explicação plausível para que Emily entendesse e deixasse de tanta marra. — Você lembra da Maya? Eu sei que deveria ter sido você mas foi em último caso e ela era amiga de Lilie, eu preferia colocar a vida dela em risco do que a sua. Na verdade eu preferia voltar melhor do que nunca, numa versão perfeita como uma reviravolta e te tomar de todos os outros olhares de vez do que ter passado seis meses desgastando o namoro. — Assim que a música parou de tocar, Peter a puxou pela mão e a levou para um espaço que parecia ser um jardim com alguns bancos mas estava completamente vazio, um espaço agradável. — A Calabresa não vai se importar, não é? — Disse em quanto já se sentava em uma das cadeiras, esperando que Emily se sentasse na da frente. Deu um sorriso e a encarou.

Eu vou deixar de cerimônia e você acredita em mim se você quiser. De uma certa forma eu não vou pagar o romântico e ficar na sua cola até você voltar comigo, até porque é visível que o que você realmente quer não é o bombril. — Falou sério e com extrema naturalidade. Na hora um garçom passava e Peter pegou outro copo de whiskey, tomou um gole e deixou sobre a mesa. — Quando eu acabei com você eu estava descontrolado, não sei se você lembra mas o quase sexo selvagem seria como um estupro pra você, já pode me agradecer. A guerra, Emily. Eu era fraco, sem controle, quase um humano, eu perdi as contas de quantas pessoas inocentes eu matei, de quantos humanos que não tinham nada a ver eu destruí. Você quer saber mesmo? Antes de chegar na guerra eu matei umas cinco pessoas só para ter um pouco de força, viu que raciocínio legal? Eu passei seis meses difíceis e você nem imagina… Pode espernear dizendo que eu fui covarde e todo aquele papo, mas eu sei que foi melhor. Eu fiquei sem comer, eu estou magro? Estou extremamente gordo em comparação ao que eu estava. Eu cheguei a ponto de me amarrar com correntes no meu quarto porque eu queria matar até minha mãe, deplorável, se eu não tinha receio de matar minha mãe imagina você né... — Parou e respirou fundo. — A pedido da minha irmã a Maya me ajudou, ela doou o seu sangue todos os dias para mim, um pouco de cada vez e agora eu me controlo, mas você não faz ideia da minha força. — Sorriu abertamente. — Eu poderia muito bem mandar você deixar aquele mané porque se não eu o mataria rapidamente, mas não… Eu vou deixar você bem tranquila e livre pra fazer o que quiser, seguir a sua consciência, porque eu sei Emily… O que você quer. Está explícito. — Falou com tamanha convicção que até ele próprio tinha acreditado, mas a verdade era que Peter estava extremamente seguro e não fazia ideia do que Emily queria, mas não se acabaria dessa vez, foi um blefe que ele torcia para dar certo e fazia parecer totalmente verdade para ela. 

Durante todo o discurso de Peter, Emily não fez nada além de dançar e segui-lo pelo pátio. Por mais que tentasse, não conseguia correr dalí e ir se encontrar com Caleb, não conseguia parar de escutar o que ele tinha a dizer. Claro que ele não merecia toda aquela compaixão vinda da parte dela. Principalmente, quando ele tenta se desculpar da forma mais imbecil o possível. Uma ação que provavelmente só Peter conseguia executar com tanta vivacidade e convicção. Odiava-o por isso. Mas ao mesmo tempo amava-o por seu jeito convencido de falar e agir, não importando se aquele era um momento que merecia um pouco mais de delicadeza vinda dele. De toda forma, mesmo que Emily ainda gostasse dele, e mesmo que ele estivesse lindo naquele terno, ela não se renderia. — Peter, tudo que você disse até agora pode até ter sido verdade, mas não vejo como o que você fez foi o melhor para mim. É claro que eu preferiria sofrer com você do que me ver perder as duas pessoas que eu mais amei. — o encarou nos olhos. Nunca tinha admitido que realmente o amara, e agora não importava mais. — Você alega saber o que eu quero, mas não sabe. Não sabe que eu não te quero em hipótese alguma por quê fica se gabando até mesmo quando tá tentando me recuperar! Eu sabia que eu não devia confiar em você desde o início, e você me enganou por um ano COMPLETO, até que provou, não importando as consequências, que naquele dia no shopping, eu já sabia exatamente quem você era. — respirou fundo. Lágrimas de ódio e pena que estava sentindo por si mesma ameaçavam descer. — Um canalha. Por quê não é necessário ser popular pra ser imbecil. E você e eu podíamos até ter um histórico longo de pessoas com as quais ficamos, mas a diferença é que você sempre brincava com todas elas como se fossem suas prostitutas particulares, sempre ali pra te satisfazer com o cu por quê a mente não te interessava, e eu nunca parti um único coração, por mais merecedor que fosse. — começou a andar de um lado para o outro, tentando se controlar por quê as rainhas não choram. Ela pareceria um animal se voltasse ao salão com os olhos escuros e inchados e o nariz ridiculamente vermelho. — Eu te amei. Te amarei e te amo ainda, mas não vou levar isso pra frente. — disse, bem a tempo de Caleb passar por eles com uma expressão irritada. Certamente tinha ouvido a última parte. E certamente eles nunca mais voltariam. Seu coração se partiu por dentro. Não gostava de machucar Caleb, quase sempre tão doce e prestativo. — Tá, parti dois corações agora. O dele e o meu. — riu irônica ainda caminhando sobre os saltos de um lado para o outro.